Cronicando, indefinidamente, infinitamente...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Outro dia. Mas tirem o outro. Deixem só o dia. Dia.

Há paisagens que descreveriam a minha vida.
Por alguma coisa, alguma magia, algum encanto que não sei explicar. Nem quero.
Porque há coisas que não se devem explicar.
Uma delas é a da saída da ponte, quando venho para casa.
Hoje sinceramente nem olhei para o relógio que fica ao meio do meu carro.
Fiquei a olhar para o sol a pôr-se lá ao fundo.
Infinitamente fundo.
Para trás, um dia cheio.
Nervos, sorrisos, caras feias.
Tudo aquilo que deve ter um dia cheio.
Para os lados, marcos que mudaram a nossa história: a torre de belém, os descobrimentos...
Mudei para a direita para ver melhor.
Toquei com o pé no pedal do meio, e deixei-me ir.
Os apressados iam passando, ansiosos por chegar a casa depois de também terem um dia cheio.
Não censuro.
Mas não aproveitar aquele momento, certamente que devia ser para todos mais importante que chegar a casa uns minutos antes.
Mas percebo o porquê.
Talvez sejam essas pequenas coisas, esses pequenos pormenores que gosto de guardar para mim.
Se eu pudesse, parava o carro ali e esperava que ele se fosse deitar.
Não posso.
Ligo o rádio.
Para ser perfeito, só mesmo uma boa música.
E estavam do outro lado o Tim e o Rui Veloso.
E como eles, eu também quis ser astronauta.
E voar.
Talvez ainda hoje queira.
Por isso, e para partilhar convosco, ouçam a música.
Ouçam e voltem a ouvir.
E pensem o quanto de vocês está aqui. O quanto de nós está naquela letra.

Certamente chegarão à conclusão, que só falta a paisagem e a brisa a bater na cara que escapa por entre o vidro que puxei para baixo.
Também vos faltará a ponte.
Também vos faltará o pôr-do-sol.
Mas não posso meter tudo aqui.
Por isso, deixo o que posso.


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