Cronicando, indefinidamente, infinitamente...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Porque um dia me tornei... assim.

Devia estar a fazer alguma coisa de útil para o meu futuro. Entenda-se: estudar.
Não me apetece.
Talvez não seja uma desculpa suficientemente boa. Não é.
Talvez não seja um motivo suficientemente forte. Ainda menos.
Problema: é a verdade.
E eu nunca soube mentir.
Por isso, venho conversar.
Muito melhor.
Num outro blog meu, transcrevi um texto de um escritor que explicava uma coisa que nunca nenhum outro tinha explicado: porque era escritor. E isso é muito engraçado.
Geralmente as pessoas não têm justificação para as coisas mais simples da vida.
Muitas podem não ter grandes justificações, secalhar se tivessem não seriam assim tão "simples".
Não sei.
Mas a justificação dele, para quem não se lembra (o que é normal, mas eu lembro-me, aquilo marcou-me) era que um dia tinha ido pelo braço do pai ver um treino da sua equipa de basebol. Por sorte, cruzou-se com o seu ídolo, ao qual pediu um autógrafo.
Para azar do pequeno rapaz, não tinha caneta.
Não teve direito a autógrafo nenhum. Ganhou um abraço, mas um autógrafo, imortalizaria aquele momento.
Desde esse dia, andou sempre com uma caneta, para caso o voltasse a ver, poder ter um autógrafo dele.
Nunca o voltou a ver.
Mas por andar sempre com uma caneta, sempre que parava um pouco, escrevi qualquer coisa.
Tornou-se escritor.
Esta história sempre me fascinou.
Acho fantástico o poder que aquele jogador teve sobre aquele miúdo. Era capaz de ser jogador de alguma coisa só por isso, pelo que podia apartir desse momento fazer.
Claro que gostava de ter uma claque inteira a cantar o meu nome.
Marcar aquele golo que calava um mundo e fazia chorar de alegria o outro.
Ou ter um pavilhão atlântico calado para me ouvir tocar.
Chorar naquela música. Cantar com aquela outra pessoa.
Mas, acima de tudo, dar um abraço, um autógrafo, um aperto de mão.
Um sorriso.
A quem se cruzasse comigo.
Ter meia dúzia de miúdos a jogar à bola na rua e dar uns toques com eles. Responder a todas as suas perguntas e saber que nunca se esqueceriam daquele dia.
Nunca faltar a uma visita a um hospital.
No fundo, acho fantástico esse poder de mudar a vida das pessoas, nem que seja por um dia.
Bem, segundo o meu post anterior, isso é tudo, não é verdade?

Prova disso é que o jogador de basebol, pode nunca ter vindo a saber no que ele se tornou.
Mas ele, acima de tudo, tornou-se escritor por ele.
Fantástico.

1 comentário:

Hugo disse...

adorei a história do escritor! não conhecia.
já agora, sabes porque queres ser informático?

abraço