Cronicando, indefinidamente, infinitamente...
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Cúmplices.
A noite vem às vezes tão perdida
E quase nada parece bater certo
Há qualquer coisa em nós inquieta e ferida
E tudo o que era fundo fica perto
Nem sempre o chão da alma é seguro
Nem sempre o tempo cura qualquer dor
E o sabor a fim do mar que vem do escuro
É tanta vezes o que resta, do calor
Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
Trocamos as palvras mais escondidas
Que só a noite arranca sem doer
Seremos cúmplices o resto da vida
Ou talvez só ate amanhecer
Fica tão fácil entregar a alma
A quem nos traga um sopro do deserto
Olhar onde a distância nunca acalma
Esperando o que vier de peito aberto
Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Porque um dia me tornei... assim.
Devia estar a fazer alguma coisa de útil para o meu futuro. Entenda-se: estudar.
Não me apetece.
Talvez não seja uma desculpa suficientemente boa. Não é.
Talvez não seja um motivo suficientemente forte. Ainda menos.
Problema: é a verdade.
E eu nunca soube mentir.
Por isso, venho conversar.
Muito melhor.
Num outro blog meu, transcrevi um texto de um escritor que explicava uma coisa que nunca nenhum outro tinha explicado: porque era escritor. E isso é muito engraçado.
Geralmente as pessoas não têm justificação para as coisas mais simples da vida.
Muitas podem não ter grandes justificações, secalhar se tivessem não seriam assim tão "simples".
Não sei.
Mas a justificação dele, para quem não se lembra (o que é normal, mas eu lembro-me, aquilo marcou-me) era que um dia tinha ido pelo braço do pai ver um treino da sua equipa de basebol. Por sorte, cruzou-se com o seu ídolo, ao qual pediu um autógrafo.
Para azar do pequeno rapaz, não tinha caneta.
Não teve direito a autógrafo nenhum. Ganhou um abraço, mas um autógrafo, imortalizaria aquele momento.
Desde esse dia, andou sempre com uma caneta, para caso o voltasse a ver, poder ter um autógrafo dele.
Nunca o voltou a ver.
Mas por andar sempre com uma caneta, sempre que parava um pouco, escrevi qualquer coisa.
Tornou-se escritor.
Esta história sempre me fascinou.
Acho fantástico o poder que aquele jogador teve sobre aquele miúdo. Era capaz de ser jogador de alguma coisa só por isso, pelo que podia apartir desse momento fazer.
Claro que gostava de ter uma claque inteira a cantar o meu nome.
Marcar aquele golo que calava um mundo e fazia chorar de alegria o outro.
Ou ter um pavilhão atlântico calado para me ouvir tocar.
Chorar naquela música. Cantar com aquela outra pessoa.
Mas, acima de tudo, dar um abraço, um autógrafo, um aperto de mão.
Um sorriso.
A quem se cruzasse comigo.
Ter meia dúzia de miúdos a jogar à bola na rua e dar uns toques com eles. Responder a todas as suas perguntas e saber que nunca se esqueceriam daquele dia.
Nunca faltar a uma visita a um hospital.
No fundo, acho fantástico esse poder de mudar a vida das pessoas, nem que seja por um dia.
Bem, segundo o meu post anterior, isso é tudo, não é verdade?
Prova disso é que o jogador de basebol, pode nunca ter vindo a saber no que ele se tornou.
Mas ele, acima de tudo, tornou-se escritor por ele.
Fantástico.
Não me apetece.
Talvez não seja uma desculpa suficientemente boa. Não é.
Talvez não seja um motivo suficientemente forte. Ainda menos.
Problema: é a verdade.
E eu nunca soube mentir.
Por isso, venho conversar.
Muito melhor.
Num outro blog meu, transcrevi um texto de um escritor que explicava uma coisa que nunca nenhum outro tinha explicado: porque era escritor. E isso é muito engraçado.
Geralmente as pessoas não têm justificação para as coisas mais simples da vida.
Muitas podem não ter grandes justificações, secalhar se tivessem não seriam assim tão "simples".
Não sei.
Mas a justificação dele, para quem não se lembra (o que é normal, mas eu lembro-me, aquilo marcou-me) era que um dia tinha ido pelo braço do pai ver um treino da sua equipa de basebol. Por sorte, cruzou-se com o seu ídolo, ao qual pediu um autógrafo.
Para azar do pequeno rapaz, não tinha caneta.
Não teve direito a autógrafo nenhum. Ganhou um abraço, mas um autógrafo, imortalizaria aquele momento.
Desde esse dia, andou sempre com uma caneta, para caso o voltasse a ver, poder ter um autógrafo dele.
Nunca o voltou a ver.
Mas por andar sempre com uma caneta, sempre que parava um pouco, escrevi qualquer coisa.
Tornou-se escritor.
Esta história sempre me fascinou.
Acho fantástico o poder que aquele jogador teve sobre aquele miúdo. Era capaz de ser jogador de alguma coisa só por isso, pelo que podia apartir desse momento fazer.
Claro que gostava de ter uma claque inteira a cantar o meu nome.
Marcar aquele golo que calava um mundo e fazia chorar de alegria o outro.
Ou ter um pavilhão atlântico calado para me ouvir tocar.
Chorar naquela música. Cantar com aquela outra pessoa.
Mas, acima de tudo, dar um abraço, um autógrafo, um aperto de mão.
Um sorriso.
A quem se cruzasse comigo.
Ter meia dúzia de miúdos a jogar à bola na rua e dar uns toques com eles. Responder a todas as suas perguntas e saber que nunca se esqueceriam daquele dia.
Nunca faltar a uma visita a um hospital.
No fundo, acho fantástico esse poder de mudar a vida das pessoas, nem que seja por um dia.
Bem, segundo o meu post anterior, isso é tudo, não é verdade?
Prova disso é que o jogador de basebol, pode nunca ter vindo a saber no que ele se tornou.
Mas ele, acima de tudo, tornou-se escritor por ele.
Fantástico.
Sem título possível.
Apaguem as luzes do quarto e metam esta música a tocar.
Não pensem em nada.
E pronto.
Não pensem em nada.
E pronto.
domingo, 7 de novembro de 2010
Banda sonora.
Não sei se o céu tem banda sonora.
Não sei, aquela música que quando lá chegamos (os que chegarem) toca.
Nas arpas dos anjos, em cimas das nuvens, iluminados por um intenso raio de sol.
Se houver, mas só mesmo se houver, será esta:
Não sei, aquela música que quando lá chegamos (os que chegarem) toca.
Nas arpas dos anjos, em cimas das nuvens, iluminados por um intenso raio de sol.
Se houver, mas só mesmo se houver, será esta:
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Que diferença um dia faz?
(Antes de lerem seja o que for, metam a música a tocar, por favor)
Inspirado por uma música que muito me encanta, faço este post.
Mas partilho convosco um assunto meu, aqui neste post. Não é que não costume fazer, mas hoje faço-o com um sorriso. Não que algo me tenha acontecido (posso garantir que não aconteceu absolutamente nada), mas porque sim. E se eu falo convosco quando algo corre mal (e quantas vezes não corre mal porque sim?!) hoje apetece-me falar com um sorriso.
E quero que vocês sorriam também.
Agora.
Como estava a dizer, ou melhor, como queria dizer, a música fascina-me muito.
Mais que escrever.
Muito mais que escrever.
Por um motivo simples: se eu mostrar este texto a alguém que não perceba português, não faz sentido nenhum.
A música não. Não preciso de perceber a letra para dançar ao som dela, ao ritmo dela.
Seja triste, contente, romântica, qualquer coisa.
E é essa capacidade de diferença que faz a música tão especial.
Posso não perceber o que alguém canta, mas percebo a sua alma.
Se não perceber o que escreve, "não sei".
E este "não sei" muda um mundo. O meu muda em função da música.
Marcam fazes da vida.
Marcam dias.
Marcam, acima de tudo, momentos.
Já pensaram que uma boa parte da música que gostam hoje, ou melhor, da música que preferem hoje, está eternamente ligada a vocês com uma conotação?
Se eu viver com alguém e ler um livro em casa, está lido.
Mas se eu em vez de ler ouvi pela primeira vez um determinado cd do inicio ao fim, esse cd está para sempre ligado a essa pessoa. Vejo-a na letra. Sinto-a na melodia.
Para sempre.
Isso é tudo.
(Secalhar já não estou com um sorriso assim tão grande, mas quero ver-vos continuar sorrir).
Há bocado um amigo meu, apesar de aparentemente ser engraçado, ensinou-me uma grande coisa.
Deve ter cerca de 16 anos, lê muito mal, e escreve ainda pior.
Não sabe fazer contas.
E veste um fato impecável, sempre característico, que tantas vezes já me fez sorrir.
Tem uma maneira estranha de falar.
Peço desculpa por alguma gargalhada indelicada.
Não é desrespeito.
Mas ele disse-me, à pouco, que queria ser alguém, para um dia ajudar as pessoas.
Todos os problemas que têm o mundo perdem significado assim.
E metes-me a pensar tanto nisso...
Mas sabes, vou fazer algo mais para ajudar.
Não é preciso ter um blog, escrever coisas bonitas e fazer integrais bem para se ajudar.
Tú podes nem sequer conseguir lê-lo.
Mas hoje, acredita: ensinaste-me algo muito mais importante.
Obrigado, professor.
(E quem goza contigo, acho que sabe menos que tu. Hoje também me ensinas-te isso.)
Acabei por ainda não começar a falar do título deste post.
Afinal, que diferença um dia faz?
"24 little hours..."
Para mim, faz toda a diferença.
O engraçado é que um dia em que saiba que não tenha mais 24 (hoje) "pequenas" horas,
falarei com um brilho nos olhos das próximas 24 grandes horas que gostaria de viver mais.
Desejo a todos umas próximas 24 grandes horas.
Em particular, a mim.
E continuem a sorrir, mesmo que tenham de ler este post outra vez.
Isso vale por tudo.
Vou justificar os parêntesis iniciais: se nunca tinham ouvido esta música, ela fica para sempre, apartir de agora, ligada a este post.
Pelo menos, nas vossas cabeças.
:)
Inspirado por uma música que muito me encanta, faço este post.
Mas partilho convosco um assunto meu, aqui neste post. Não é que não costume fazer, mas hoje faço-o com um sorriso. Não que algo me tenha acontecido (posso garantir que não aconteceu absolutamente nada), mas porque sim. E se eu falo convosco quando algo corre mal (e quantas vezes não corre mal porque sim?!) hoje apetece-me falar com um sorriso.
E quero que vocês sorriam também.
Agora.
Como estava a dizer, ou melhor, como queria dizer, a música fascina-me muito.
Mais que escrever.
Muito mais que escrever.
Por um motivo simples: se eu mostrar este texto a alguém que não perceba português, não faz sentido nenhum.
A música não. Não preciso de perceber a letra para dançar ao som dela, ao ritmo dela.
Seja triste, contente, romântica, qualquer coisa.
E é essa capacidade de diferença que faz a música tão especial.
Posso não perceber o que alguém canta, mas percebo a sua alma.
Se não perceber o que escreve, "não sei".
E este "não sei" muda um mundo. O meu muda em função da música.
Marcam fazes da vida.
Marcam dias.
Marcam, acima de tudo, momentos.
Já pensaram que uma boa parte da música que gostam hoje, ou melhor, da música que preferem hoje, está eternamente ligada a vocês com uma conotação?
Se eu viver com alguém e ler um livro em casa, está lido.
Mas se eu em vez de ler ouvi pela primeira vez um determinado cd do inicio ao fim, esse cd está para sempre ligado a essa pessoa. Vejo-a na letra. Sinto-a na melodia.
Para sempre.
Isso é tudo.
(Secalhar já não estou com um sorriso assim tão grande, mas quero ver-vos continuar sorrir).
Há bocado um amigo meu, apesar de aparentemente ser engraçado, ensinou-me uma grande coisa.
Deve ter cerca de 16 anos, lê muito mal, e escreve ainda pior.
Não sabe fazer contas.
E veste um fato impecável, sempre característico, que tantas vezes já me fez sorrir.
Tem uma maneira estranha de falar.
Peço desculpa por alguma gargalhada indelicada.
Não é desrespeito.
Mas ele disse-me, à pouco, que queria ser alguém, para um dia ajudar as pessoas.
Todos os problemas que têm o mundo perdem significado assim.
E metes-me a pensar tanto nisso...
Mas sabes, vou fazer algo mais para ajudar.
Não é preciso ter um blog, escrever coisas bonitas e fazer integrais bem para se ajudar.
Tú podes nem sequer conseguir lê-lo.
Mas hoje, acredita: ensinaste-me algo muito mais importante.
Obrigado, professor.
(E quem goza contigo, acho que sabe menos que tu. Hoje também me ensinas-te isso.)
Acabei por ainda não começar a falar do título deste post.
Afinal, que diferença um dia faz?
"24 little hours..."
Para mim, faz toda a diferença.
O engraçado é que um dia em que saiba que não tenha mais 24 (hoje) "pequenas" horas,
falarei com um brilho nos olhos das próximas 24 grandes horas que gostaria de viver mais.
Desejo a todos umas próximas 24 grandes horas.
Em particular, a mim.
E continuem a sorrir, mesmo que tenham de ler este post outra vez.
Isso vale por tudo.
Vou justificar os parêntesis iniciais: se nunca tinham ouvido esta música, ela fica para sempre, apartir de agora, ligada a este post.
Pelo menos, nas vossas cabeças.
:)
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Nunca acordaram e pensaram que estavam longe?
Longe do mundo, longe do vosso(nosso) mundo, longe daquilo que deveria ser o vosso dia, longe daqui, pior que tudo: longe de vocês.
Eu já.
Hoje.
Ontem.
Anteontem.
E antes disso.
Muito antes disso.
A música que ouço, enquanto escrevo isto, em concordância com o post anterior, influencia directamente o que digo. Azar dos azares: estou a ouvir Sérgio Godinho.
E enquanto escrevo, penso e ouço, ele "diz" isto (lá está o sacana a falar comigo, estão a ver? - referência ao post anterior, mais uma vez!):
"Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja."
Torna-se complicado dizer mais alguma coisa.
Sinceramente, também não me apetece dizer mais nada.
Longe do mundo, longe do vosso(nosso) mundo, longe daquilo que deveria ser o vosso dia, longe daqui, pior que tudo: longe de vocês.
Eu já.
Hoje.
Ontem.
Anteontem.
E antes disso.
Muito antes disso.
A música que ouço, enquanto escrevo isto, em concordância com o post anterior, influencia directamente o que digo. Azar dos azares: estou a ouvir Sérgio Godinho.
E enquanto escrevo, penso e ouço, ele "diz" isto (lá está o sacana a falar comigo, estão a ver? - referência ao post anterior, mais uma vez!):
"Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja."
Torna-se complicado dizer mais alguma coisa.
Sinceramente, também não me apetece dizer mais nada.
domingo, 24 de outubro de 2010
Há músicas que não dizem nada e era capaz de lhes confiar a minha vida.
Há tantas que dizem tudo, que explicam tudo, mas nunca me disseram nada.
É engraçado o efeito que a música tem nas pessoas: fazem pensar, rir, chorar, sorrir. Descrevem o que sentes, o que não sentes e aquilo que não sabes que podes vir a sentir. Falam sobre este mundo, o teu mundo, ou outro mundo qualquer. E essa é sem dúvida, a parte engraçada.
Quantas vezes o teu rádio nunca falou contigo? O meu, geralmente, é um sacana para mim.
Faz-me chorar.
Faz-me pensar nalguma coisa, nalgum momento, se traduz em tanta coisa...
E o engraçado é que sinto que ele está literalmente a "cantar" para mim. Que está a dar-me um recado, que me está a contar uma história.
Que fala comigo.
Que me dá conselhos. Que me leva para outro lado.
Geralmente, a música que ouço reflecte o que eu sinto. Reflecte o que eu penso.
E a música que trato comigo, em canta momento, sou eu.
Há tantas que dizem tudo, que explicam tudo, mas nunca me disseram nada.
É engraçado o efeito que a música tem nas pessoas: fazem pensar, rir, chorar, sorrir. Descrevem o que sentes, o que não sentes e aquilo que não sabes que podes vir a sentir. Falam sobre este mundo, o teu mundo, ou outro mundo qualquer. E essa é sem dúvida, a parte engraçada.
Quantas vezes o teu rádio nunca falou contigo? O meu, geralmente, é um sacana para mim.
Faz-me chorar.
Faz-me pensar nalguma coisa, nalgum momento, se traduz em tanta coisa...
E o engraçado é que sinto que ele está literalmente a "cantar" para mim. Que está a dar-me um recado, que me está a contar uma história.
Que fala comigo.
Que me dá conselhos. Que me leva para outro lado.
Geralmente, a música que ouço reflecte o que eu sinto. Reflecte o que eu penso.
E a música que trato comigo, em canta momento, sou eu.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Outro dia. Mas tirem o outro. Deixem só o dia. Dia.
Há paisagens que descreveriam a minha vida.
Por alguma coisa, alguma magia, algum encanto que não sei explicar. Nem quero.
Porque há coisas que não se devem explicar.
Uma delas é a da saída da ponte, quando venho para casa.
Hoje sinceramente nem olhei para o relógio que fica ao meio do meu carro.
Fiquei a olhar para o sol a pôr-se lá ao fundo.
Infinitamente fundo.
Para trás, um dia cheio.
Nervos, sorrisos, caras feias.
Tudo aquilo que deve ter um dia cheio.
Para os lados, marcos que mudaram a nossa história: a torre de belém, os descobrimentos...
Mudei para a direita para ver melhor.
Toquei com o pé no pedal do meio, e deixei-me ir.
Os apressados iam passando, ansiosos por chegar a casa depois de também terem um dia cheio.
Não censuro.
Mas não aproveitar aquele momento, certamente que devia ser para todos mais importante que chegar a casa uns minutos antes.
Mas percebo o porquê.
Talvez sejam essas pequenas coisas, esses pequenos pormenores que gosto de guardar para mim.
Se eu pudesse, parava o carro ali e esperava que ele se fosse deitar.
Não posso.
Ligo o rádio.
Para ser perfeito, só mesmo uma boa música.
E estavam do outro lado o Tim e o Rui Veloso.
E como eles, eu também quis ser astronauta.
E voar.
Talvez ainda hoje queira.
Por isso, e para partilhar convosco, ouçam a música.
Ouçam e voltem a ouvir.
E pensem o quanto de vocês está aqui. O quanto de nós está naquela letra.
Certamente chegarão à conclusão, que só falta a paisagem e a brisa a bater na cara que escapa por entre o vidro que puxei para baixo.
Também vos faltará a ponte.
Também vos faltará o pôr-do-sol.
Mas não posso meter tudo aqui.
Por isso, deixo o que posso.
Por alguma coisa, alguma magia, algum encanto que não sei explicar. Nem quero.
Porque há coisas que não se devem explicar.
Uma delas é a da saída da ponte, quando venho para casa.
Hoje sinceramente nem olhei para o relógio que fica ao meio do meu carro.
Fiquei a olhar para o sol a pôr-se lá ao fundo.
Infinitamente fundo.
Para trás, um dia cheio.
Nervos, sorrisos, caras feias.
Tudo aquilo que deve ter um dia cheio.
Para os lados, marcos que mudaram a nossa história: a torre de belém, os descobrimentos...
Mudei para a direita para ver melhor.
Toquei com o pé no pedal do meio, e deixei-me ir.
Os apressados iam passando, ansiosos por chegar a casa depois de também terem um dia cheio.
Não censuro.
Mas não aproveitar aquele momento, certamente que devia ser para todos mais importante que chegar a casa uns minutos antes.
Mas percebo o porquê.
Talvez sejam essas pequenas coisas, esses pequenos pormenores que gosto de guardar para mim.
Se eu pudesse, parava o carro ali e esperava que ele se fosse deitar.
Não posso.
Ligo o rádio.
Para ser perfeito, só mesmo uma boa música.
E estavam do outro lado o Tim e o Rui Veloso.
E como eles, eu também quis ser astronauta.
E voar.
Talvez ainda hoje queira.
Por isso, e para partilhar convosco, ouçam a música.
Ouçam e voltem a ouvir.
E pensem o quanto de vocês está aqui. O quanto de nós está naquela letra.
Certamente chegarão à conclusão, que só falta a paisagem e a brisa a bater na cara que escapa por entre o vidro que puxei para baixo.
Também vos faltará a ponte.
Também vos faltará o pôr-do-sol.
Mas não posso meter tudo aqui.
Por isso, deixo o que posso.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Quotidiano.
Terreiro do paço.
Baixa-Chiado.
Rossio.
Martim Moniz.
Intendente.
Anjos.
Entre entradas e saídas em mais uma estação (e uma agressividade que às vezes tenho dificuldade em perceber), entra mais um velho.
Como tantos e tantos outros que olhamos e tentamos adivinhar a vida: porque estará ali aquela hora da manhã? será que ainda trabalha? Mas... com esta idade? Secalhar vai buscar o neto à casa da filha, para o levar ao infantário e...
Enfim.
Este apresentava-se particularmente sujo, apesar de não aparentar ser mendigo.
Com mais atenção, notava-se que era.
Eu ia sentado, de frente para a entrada, de costas para o "andar" do metro.
Cabeça encostada ao vidro, música nos ouvidos.
Que redoma de plástico, que bolinha actimel é estar sempre a ouvir música: não se pensa, não se ouve o sussurrar das pessoas, e concentro-mo no que estou a ouvir.
Tudo bem.
Eu pessoalmente, ia a ouvir mais uma música daquelas, das minhas, enfim.
Mais uma história em rima, que de tanto ouvir os meus lábios já mexem à medida que vou ouvindo as palavras de quem a conta.
Aparentemente, tudo normal.
Ouve-se uma voz.
Levanto o olhar, baixo a música.
Ouço o que tem a dizer:
"Bom dia, meus senhores e minhas senhoras
sou mendigo há muitos anos,
e é melhor pedir
que roubar ou vender drogas.
Por isso, peço o vosso auxílio.
Obrigado."
Voltei a dar som à minha redoma de plástico, como quem aumenta as defesas com o exterior.
Arroios.
Como quem aparenta aumentar as defesas com o exterior.
Levanto a cabeça, e sem olhar para ele, reparo em todas as outras pessoas.
Forçaram uma conversa com alguém, desviaram o olhar para o outro lado: cobardia.
É sempre mais fácil não ver a realidade.
Ainda para mais quando é tão infeliz.
Sem dúvida que todos pensámos que podia ser um de nós e a clareza da introdução feita, expôs as nossas (dele?) fraquezas.
Pára ao meu lado.
Volto a baixar o som.
A senhora à minha frente, remexe a carteira.
Dá algo.
Olho para ela, forço uma troca de olhares: esboço um sorriso em sinal de apoio, de concordância.
Alameda.
Há coisas que posso ver todos os dias.
Que mesmo assim, me metem a pensar.
Todos os dias.
Baixa-Chiado.
Rossio.
Martim Moniz.
Intendente.
Anjos.
Entre entradas e saídas em mais uma estação (e uma agressividade que às vezes tenho dificuldade em perceber), entra mais um velho.
Como tantos e tantos outros que olhamos e tentamos adivinhar a vida: porque estará ali aquela hora da manhã? será que ainda trabalha? Mas... com esta idade? Secalhar vai buscar o neto à casa da filha, para o levar ao infantário e...
Enfim.
Este apresentava-se particularmente sujo, apesar de não aparentar ser mendigo.
Com mais atenção, notava-se que era.
Eu ia sentado, de frente para a entrada, de costas para o "andar" do metro.
Cabeça encostada ao vidro, música nos ouvidos.
Que redoma de plástico, que bolinha actimel é estar sempre a ouvir música: não se pensa, não se ouve o sussurrar das pessoas, e concentro-mo no que estou a ouvir.
Tudo bem.
Eu pessoalmente, ia a ouvir mais uma música daquelas, das minhas, enfim.
Mais uma história em rima, que de tanto ouvir os meus lábios já mexem à medida que vou ouvindo as palavras de quem a conta.
Aparentemente, tudo normal.
Ouve-se uma voz.
Levanto o olhar, baixo a música.
Ouço o que tem a dizer:
"Bom dia, meus senhores e minhas senhoras
sou mendigo há muitos anos,
e é melhor pedir
que roubar ou vender drogas.
Por isso, peço o vosso auxílio.
Obrigado."
Voltei a dar som à minha redoma de plástico, como quem aumenta as defesas com o exterior.
Arroios.
Como quem aparenta aumentar as defesas com o exterior.
Levanto a cabeça, e sem olhar para ele, reparo em todas as outras pessoas.
Forçaram uma conversa com alguém, desviaram o olhar para o outro lado: cobardia.
É sempre mais fácil não ver a realidade.
Ainda para mais quando é tão infeliz.
Sem dúvida que todos pensámos que podia ser um de nós e a clareza da introdução feita, expôs as nossas (dele?) fraquezas.
Pára ao meu lado.
Volto a baixar o som.
A senhora à minha frente, remexe a carteira.
Dá algo.
Olho para ela, forço uma troca de olhares: esboço um sorriso em sinal de apoio, de concordância.
Alameda.
Há coisas que posso ver todos os dias.
Que mesmo assim, me metem a pensar.
Todos os dias.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Paralelamente escrevinhando.
Alguém que escreva, nem que seja para si, tem de ser uma pessoa reservada, tímida, talvez. Mesmo que não o aparente.
Concordo mais que plenamente.
Um dia li um texto que dizia isso, "quem fala muito, pouco lhe sobra para escrever". E não deve de haver maior verdade que esta.
Talvez o que escreva aqui, as ideias que deixe aqui, sejam coisas que nunca disse a ninguém.
Talvez.
Talvez nem a mim mesmo.
Talvez.
Mas isso é o mais importante.
Porque o que eu escrevo para mim, é um eterno diálogo comigo: comigo e só comigo, imortalizado numa folha (não eterna) de papel.
Vantagens, ou desvantagens, claro está.
Gosto de ter resposta vivas, de pessoas que olham para mim e percebem o que se passa comigo nesse instante.
Antes de todo o mundo.
Antes que eu próprio tenha reparado que eles tenham reparado.
Que me perguntem, que me respondam, que acima de tudo me critiquem.
Mas a minha folha de papel, será sempre a minha folha de papel.
Ela pode não ter resposta para mim.
Se tiver, certamente que fui eu que encontrei a resposta, algures, dentro de mim.
(E a folha, supostamente, está fora de mim. Ou será que está dentro?)
Admito que, maioritariamente das vezes, não tem.
Mas mesmo assim, não me questiona, não me censura.
Não é que isso seja fantástico, que não é.
Mas no fundo, e sempre no fundo, não passa de uma folha, como tantas outras, salpicada aqui e acolá de lágrimas (ou salpicada aqui e acolá de sorrisos, quem sabe).
Mas para mim, será sempre o meu pensamento, a volatilidade do meu pensamento eternizada numa folha de papel.
Para quem lê, pode não ser nada.
Mas para quem escreveu, certamente que é tudo.
Para mim, será sempre tudo.
Concordo mais que plenamente.
Um dia li um texto que dizia isso, "quem fala muito, pouco lhe sobra para escrever". E não deve de haver maior verdade que esta.
Talvez o que escreva aqui, as ideias que deixe aqui, sejam coisas que nunca disse a ninguém.
Talvez.
Talvez nem a mim mesmo.
Talvez.
Mas isso é o mais importante.
Porque o que eu escrevo para mim, é um eterno diálogo comigo: comigo e só comigo, imortalizado numa folha (não eterna) de papel.
Vantagens, ou desvantagens, claro está.
Gosto de ter resposta vivas, de pessoas que olham para mim e percebem o que se passa comigo nesse instante.
Antes de todo o mundo.
Antes que eu próprio tenha reparado que eles tenham reparado.
Que me perguntem, que me respondam, que acima de tudo me critiquem.
Mas a minha folha de papel, será sempre a minha folha de papel.
Ela pode não ter resposta para mim.
Se tiver, certamente que fui eu que encontrei a resposta, algures, dentro de mim.
(E a folha, supostamente, está fora de mim. Ou será que está dentro?)
Admito que, maioritariamente das vezes, não tem.
Mas mesmo assim, não me questiona, não me censura.
Não é que isso seja fantástico, que não é.
Mas no fundo, e sempre no fundo, não passa de uma folha, como tantas outras, salpicada aqui e acolá de lágrimas (ou salpicada aqui e acolá de sorrisos, quem sabe).
Mas para mim, será sempre o meu pensamento, a volatilidade do meu pensamento eternizada numa folha de papel.
Para quem lê, pode não ser nada.
Mas para quem escreveu, certamente que é tudo.
Para mim, será sempre tudo.
terça-feira, 25 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Talvez, um dia.
Um dos melhores músicos que ouvi, tinha uma frase que dizia:
"faço música para mim, mas ouve quem quiser!".
Talvez por isso, para mim, seja dos melhores.
Porque o melhor, não é o que se escreve porque se tinha de escrever.
O melhor é sempre, e sempre o será para mim, o que escrevemos para nós.
E eu, também escrevo para mim. Só para mim.
E partilho com vocês.
Talvez deva fazer uma chamada de atenção:
o que eu escrevo não é o que sinto: é o que sinto transformado em palavras.
Nem por um instante, terá algo a ver com o que eu sinto: porque sinto-o para mim.
Da mesma maneira, quem lê, não lê o que eu escrevi, nem tão pouco que eu sinto.
Lê o que pensa que leu.
Refúgio.
Será sempre isso que para mim será o que escrevo.
Talvez, e esta é a parte engraçada, seja um refúgio do que sinto.
Então, como alguma vez, por um breve instante, podiam ser a mesma coisa?
Nunca serão.
"faço música para mim, mas ouve quem quiser!".
Talvez por isso, para mim, seja dos melhores.
Porque o melhor, não é o que se escreve porque se tinha de escrever.
O melhor é sempre, e sempre o será para mim, o que escrevemos para nós.
E eu, também escrevo para mim. Só para mim.
E partilho com vocês.
Talvez deva fazer uma chamada de atenção:
o que eu escrevo não é o que sinto: é o que sinto transformado em palavras.
Nem por um instante, terá algo a ver com o que eu sinto: porque sinto-o para mim.
Da mesma maneira, quem lê, não lê o que eu escrevi, nem tão pouco que eu sinto.
Lê o que pensa que leu.
Refúgio.
Será sempre isso que para mim será o que escrevo.
Talvez, e esta é a parte engraçada, seja um refúgio do que sinto.
Então, como alguma vez, por um breve instante, podiam ser a mesma coisa?
Nunca serão.
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